quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Amanhã é outro dia



Eu sempre me pergunto, o que é, exatamente, que nos comanda por inteiro quando somos apanhados pelo susto, pelo imprevisto, pelo desastre, pela desilusão e tantas outras catastróficas emoções que desnorteiam completamente o nosso ‘psicológico’. Sempre me ocorreu, que a consciência sutilmente desaparece, como num passe de mágica, no momento em que o desequilíbrio nos apanha de surpresa. Talvez um embate de energias entre em ação. Nossos comandos passam, então, a serem exercidos pelos sentidos: o gesto das mãos que guardam o rosto, como que para esconder a vergonha e sustentar uma fogueira de vaidades; os olhos que se fecham para evitar uma visão trágica ou simplesmente não encarar o que está diante deles; os joelhos que se dobram para proteger o corpo; a voz que emerge de onde já esquecemos para dizer: ‘Oh, My God!’; as benditas lágrimas que insistem em inundar a nossa face, num passe absolutamente involuntário. E numa fração de tempo, um pensamento: ‘Um Bugatti Veyron resolveria os meus problemas!’. E com os pulsos cerrados, eu piso fundo no meu acelerador imaginário e me transporto para longe de tudo que possa me afligir, para um lugar em que eu me sinta como um pássaro livre-leve-e-solto a voar pelo mundo, sem correr o risco de ser atingida pela baladeira de um moleque sem princípios morais e com uma dose quase mortal de ‘espírito de porco’. E, assim, eu deixo as doces ilusões aplacarem as amargas, que um dia foram igualmente doces. Porque amanhã é outro dia e tudo é psicológico.

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