segunda-feira, 18 de abril de 2011

Amor: doença ou cura?

Será que o amor é apenas um estado de enfermidade mental? Em tempos não muito remotos, eu afirmaria com a mais ilusória certeza, que sim. Muito fácil inventar conceitos para o inexplicável, quando nunca se fez parte dele. A verdade é que o amor pode ir muito além de uma variante psicológica, e nunca iremos encontrar um conceito concreto para o seu tão abstrato significado.
Se o amor for uma doença, todos, ao menos uma vez na vida, deveriam ser contaminados por ela. E se possível, contrair a da pior espécie: a incurável. Falando assim, pode parecer um tanto cômico e contraditório. Mas quebro esta margem de contradição: ele pode até ser uma doença, mas também, sem sombra de dúvidas, a cura para tantas outras (algo cientificamente comprovado). Sim! Sabias que o amor pode curar até mesmo o câncer? Assim como o ódio, provavelmente, é capaz de causá-lo. E você poderia rebater: ‘e não seriam casos de meras coincidências?’. Mas te digo uma coisa: ‘coincidência’ é uma palavra inexistente no meu dicionário genético. E te digo mais uma: eu sempre tenho razão.
Infelizes dos que passam por essa vida e não têm a oportunidade de conhecer o amor e sequer dizer: ‘nice to meet you’, e indubitavelmente mais infelizes, aqueles que o podem dizer, mas não podem obter um ‘nice to meet you, too’ como resposta. Se a oportunidade está batendo a sua porta, que tal deixar a morbidez de lado, convidá-la para tomar uma xícara de chá (de cidreira) e trocar uma ideia? Você pode acabar se surpreendendo, quando nada mais parece ter a capacidade para tal. Pode ser que o amor da sua vida esteja debaixo do seu nariz, há um tempo considerável, e você ainda nem tenha se dado conta. Ele pode ser o seu melhor amigo. E quer um conselho? 'Se joga!' Não seja idiota o suficiente para enganar a si mesma, nem covarde o bastante, a ponto de não assumir seus sentimentos.
Às vezes estamos tão ocupados cavando a nossa própria cova, que não nos atentamos para as coisas que realmente são importantes na vida, e que podem trazer algum sentido para ela. Preocupamo-nos tanto em acumular bens, quando os mais valiosos não há preço algum que pague. Quando não, simplesmente temos medo de arriscar e medo de perder, mas será que os ganhos não compensariam as perdas? O que é melhor, ver um filme ou participar dele? Muitos, com certeza, preferem assistir. Outros, com espírito de aventura, querem estar envolvidos na história. Felizes daqueles que possuem um espírito irrequieto. Que o meu permaneça sempre assim, e que minha visão se mantenha como a de uma eterna atriz neste palco da vida.
Posso parecer suspeita ao falar certas coisas, já que fui atingida, em cheio, por um suposto bombardeio de insanas e talvez doentias emoções psicológicas (que prefiro resumi-las na palavrinha mágica ‘amor’), mas este sentimento não só tem a capacidade de entorpecer como, também, de levar a mais profunda lucidez. E talvez, eu nunca tenha me encontrado tão lúcida. Ou será que é efeito do entorpecimento? Creio que não, não perdi a minha capacidade de autocontrole e de distinção das variantes psicológicas. Só estou desfrutando, digamos, de algumas simples e doces descobertas, o que pode me deixar meio tonta, confusa e desprovida de inteligência (algumas vezes), mas que vale a pena cada ‘tosquice’ cometida. Ahh, e como vale! Não é extraordinário o fascínio que uma pessoa pode exercer sobre a gente? Sentir o coração batendo mais forte, mãos suando, frio na barriga, respiração ofegante, um tremor no corpo que parece se estender pela alma? Ei, isso existe! Claro que são maquinações da nossa mente, que podemos controlar ou inibir quando quisermos. Mas para quê fazer isso, se é saudável e te deixa feliz? Amar é estar com alguém e desejar que aquele momento dure toda uma eternidade, é não precisar assistir a programas humorísticos para sorrir, é simplesmente pensar na pessoa amada e ver o mundo virar um circo. Amor: doença ou cura? Ele nada mais é, que uma louca mistura de ambas.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carnaval: Um Show de Horrores



Está certo, que eu não sou amante de datas comemorativas (com exceção do meu aniversário, claro), feriados sem cabimento e com pretextos desprezíveis para queimar dinheiro e continuar engordando o monstro da nossa encantadora economia capitalista - que uma hora dessas vai enjoar dessa comida e engolir a todos nós - mas, enfim, o Carnaval é um exemplo festivo que ultrapassa os limites do meu ódio.

Já disseram que sou preconceituosa, que eu devia apreciar a minha cultura, sentir orgulho de ser brasileira (e amazonense) e outras infinidades de blá-blá-blás absolutamente irrelevantes. Mas me diz, como me orgulhar de pessoas travestidas de loucura, que saem pelas ruas fazendo algazarras, enchendo a cara, premiando muros de casas com xixis, contemplando a autodestruição, substituindo o clássico “oi, tudo bem? Você vem sempre aqui?” por uma ‘rapidinha’ numa espelunca qualquer e com um parceiro mais qualquer ainda? Como me orgulhar de um país que oferece um dia oficial para a orgia, que investe mais em atividades promíscuas e campanhas carnavalescas que em questões sociais, ou que possui representantes que resolvem problemas ordenando que as pessoas batam as botas, as cachuletas ou simplesmente morram? Desculpa, mas não me orgulho disso. Eu não me orgulho de ser amazonense. E se você está pensando: “Emanuelle, os incomodados que se retirem!”, não se preocupe, já comecei a fazer meu pezinho de meia para fugir deste hospício.

(Não sei se já deu para perceber, mas tenho um sério problema. Começo falando uma coisa, quando me dou conta já estou falando sobre outra, de repente nem lembro mais o assunto inicial e acabo inventando um terceiro. Mas não sou louca, ok? Acontece que os meus pensamentos sempre vêm sob o encalço de outros tantos, só isso. Prometo tentar me policiar. E, sim, o Carnaval, algo que consegue me deixar depressiva todos os anos, é a ideia principal deste post)

Deixando de lado o fato de que o Carnaval é o definhamento social, vamos nos centrar um pouco no que chamam de aspecto cultural. Sinceramente, não entendo como que alguém com um mínimo de bom senso e gosto pode achar alguma espécie de valor estético, naquele brilhante e colorido show de horrores. E tem gente que ainda chama de arte, aquelas mulheres peladas, sob saltos gigantescos, balançando suas nádegas e peitos siliconados, pra lá e pra cá, como se fossem despencar a qualquer momento. Para mim, o nome disso é Falta de Vergonha na Cara.

E quanto aos desfiles das escolas de samba, eu gostaria muito que eles parassem de contaminar os canais da minha humilde televisão, nesta época. Ano retrasado, se não me foge à memória, acompanhei alguns desfiles só para poder rejeitá-los com base, pois acredito que é uma baita de uma ignorância detonar algo sobre o qual nada se sabe (aprendi isso da pior maneira possível: não comi pizza até os meus 11 anos de idade, porque eu não ia com a cara dela e dizia que não gostava. Num belo dia resolvi experimentar e descobri que era uma das melhores coisas que eu já havia comido na vida. Desde então, passei a comer o suficiente para compensar todos os anos em que a rejeitei. Logo: sei como a coisa funciona). Só quero dizer, que posso te afirmar que entendo do assunto o suficiente para poder dizer: “Eu não gosto!”. Entra ano e sai ano, sabe o que muda? Necas de pitibiribas! É tudo sempre igual, um verdadeiro miserê de criatividade – os carros, as fantasias (que me deixam com medo), os samba-enredos, até as bundas são as mesmas! Aquelas vozes roucas e bêbadas recitando a ‘profundidade’ intelectual da grande massa, de forma incrivelmente desarmônica, é algo que me causa arrepios. E eu sempre me questiono se o cérebro das mulatas tem um tamanho proporcional aos trajes que elas vestem.

Poluição sonora, visual. Toda e qualquer espécie de poluição combina com Carnaval. Acho que para o País progredir, os governantes deveriam começar por abolir este festim repetitivo e parar de contribuir com a matança da população. Os que não morrem drogados ou com DSTs, estão morrendo a longo prazo. E eu chego a imaginar que talvez este seja o projeto dos nossos adoráveis políticos (Por que será, né?!). Se o nosso Samba, Carnaval & Futebol não for o novo nome dado à antiga política do Pão e Circo, pode ser que ele faça parte de algum ideal nazista.

Uma breve e relevante analogia. Vocês lembram da estória da formiga inteligente e a cigarra idiota? As formiguinhas ralavam o ano todo, trabalhavam incessantemente para terem onde morar e o que comer ao longo do rigoroso inverno, enquanto a cigarra ficava que nem uma retardada cantarolando e patetando pela floresta. Fim da estória: o inverno chegou e as formigas ficaram numa boa, só flores, enquanto a pobre cigarra desprovida de inteligência acabou morrendo de fome e congelada. A nossa realidade não é muito diferente. Enquanto o mundo todo está preocupado com coisas importantes, as belezuras, aqui, estão dançando o samba do crioulo doido e achando tudo muito lindo. (Realmente, não é de admirar que seja proibido a entrada de brasileiros em alguns estabelecimentos estrangeiros)

Mas já que esta lamentável situação não vai mudar tão cedo, aqui vão algumas dicas para você contribuir com um planeta mais saudável e bonito, e, quem sabe, um Carnaval melhor:

1. Não obrigue todo mundo a ouvir o seu tipo de música;
2. Passe longe de bebidas alcoólicas. Elas também são drogas e você não precisa detonar seu corpo para ficar alguns momentos distante da realidade;
3. Não saia beijando e fazendo amor com pessoas que você não conhece. Isso tem outro nome, que prefiro deixar em off. Tome cuidado para você não criar o hábito de sentir o prazer físico sem amor – isso é a decadência humana.
4. Eu sei que é carnaval, mas você não pode sair por aí fazendo tudo que der na sua telha. Juízo, meu caro, muito juízo;
5. Depois de torrar seu dinheiro em festas promíscuas, se lambuzando com o suor de pessoas que você sequer conhece, não culpe o governo pela sua pobreza;
6. Olha, já ia esquecendo da clássica camisinha. Nada de aventuras sexuais sem ela, viu?
7. Não me chame para folias. Como ainda não tenho dinheiro para passar o feriado em Paris, estarei hibernando nos meus aposentos e fechada para balanço. Se você detesta essa data tanto quanto eu, siga meu exemplo.

P.S.: Só expressei o meu ponto de vista, e isso não quer dizer que eu seja contra os demais. Tenho total respeito por todas as cabecinhas que pensam diferentes da minha. Tenham um ótimo Carnaval!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Vamos tomar um banho de chuva?



Eu amo chuva, com todas as minhas forças. Quando era pequena, lembro nitidamente de que quando chovia eu simplesmente mudava (e isso acontece ainda hoje). Podia estar triste, emburrada (por algumas frivolidades), desiludida com a vida, radiante quanto uma verminosa, mas começava a chover e, quase que instantaneamente, ondas de energias vibrantes, alegres e contagiantes tomavam conta de mim. Eu queria sair, aproveitar o paraíso lá fora, mas minha mãe esquecia qualquer coisa que havia programado, para ficar chocando em casa. E foi então, que eu descobri que as pessoas ficavam mórbidas, depressivas e com sentimentos suicidas quando chovia; se transformavam meramente no verso do meu inverso. Elas passavam a desmarcar seus compromissos e não conseguiam continuar com as suas atividades cotidianas, porque tinham a chuva como um estúpido empecilho. Pareciam ser acometidas, repentinamente, por uma espécie de ombrofobia, e tudo ia para o ‘beleléu’. Eu não conseguia entender tal comportamento, e acho que me despedirei desta vida sem compreendê-lo. Às vezes, só o fato de olhá-la funcionava como uma fórmula enfeitiçada, um ‘hidrocombustível’, capaz de recarregar minha paz de espírito. Mas é claro que na maioria das vezes eu precisava, antes de mais nada, tomar um belo banho e alimentar a resistência do meu organismo, ao ingerir uma infinidade de gotinhas.
Nos tempos de escola, eu era uma das poucas alunas que apareciam por lá debaixo de chuva. Salas e corredores ficavam completamente vazios. Almas aparentemente infelizes perambulavam como se tivessem partido em direção a outras paragens e voltado para resolver assuntos que haviam ficado pendentes, ou apenas para recolher seus simplórios restos mortais. Sem falar naquele aspecto sonolento que se fazia presente em todos os rostos, num processo lamentável e irreversível. Um tanto quanto macabro, não achas? E enquanto isso, eu lá, toda feliz da vida, cantando com as paredes, esbanjando gás e tentando salvar alguns ‘casos perdidos’. Quando eu ouvia um ‘Eu odeio chuva’, lembrava das aulas de Estudos Sociais, sobre os pobres do sertão nordestino, e um labirinto de revoltas me invadia. Eles dariam a vida por uma chuva, enquanto alguns pobres de bom-senso eram capazes de utilizar uma palavra de baixo escalão para se referir à tamanha benção.
O fato de chover razoavelmente em Manaus, talvez seja o único motivo por eu ainda aceitar a azarenta sorte de ter nascido aqui. Mas a nossa chuva tem uma triste regra: pode chover o que for, raramente fica frio (e esse raro ainda é uma lenda), o normal é ficar espetacularmente abafado. O sol cospe fogo durante todo o ano, minha gente! Eu já disse que prefiro andar debaixo de chuva a andar debaixo de sol? Isto é algo que fica subentendido em todas as entrelinhas. Mas a explicação é bem simples: as chuvas são como paliativos para aliviar a dor e ocupar o vazio da minha permanente falta de inverno.
Chuva: tamanha vibração, que pode levar a mais profunda renovação. Esqueça tudo que você estudou sobre fenômenos meteorológicos e pare para observar, com o ingênuo olhar de uma criança, como é extraordinariamente mágico o fato de cair água do céu e ver a harmônica sincronia do universo se encaixando com a mais perfeita das perfeições. Por uma fração de tempo, poder esquecer a obscuridade da vida, da terra e das pessoas, e acreditar na doce ilusão de um possível final feliz para esse mundo de ignóbeis. Tomar um banho de chuva, capaz de lavar até mesmo a alma; ‘comer’ aquelas finas gotículas, como se fossem flocos de neve e ter a capacidade de se transportar para qualquer lugar, são coisas que, definitivamente, não têm preço.
Se eu fosse estudante de psicologia, meu TCC seria sobre as inúmeras propriedades terapêuticas da chuva – A Chuva Cura! Tenho certeza que seria um trabalho de imensurável ajuda para essa humanidade psicologicamente afetada. Entretanto, como faço jornalismo... Talvez o mundo esteja perdendo uma grande psicóloga! Mas quem se importa?
Ziguezague, xeque-mate, vida, universo, trovão, Switzerland, raciocínio, quimera, paz, orquestra, natureza, memória, luzes, Júpiter, imaginação, hiena, gelo, força, esmero, desencanto, Chopin, beijo, amor. Acredito que tudo isso lembra e combina com chuva, ou vice-versa. Chega a ser assombroso, os poderes sobrenaturais de alguns indivíduos, como o de se estressar com uma tão fabulosa arte divina. Roupa molhada, chapinha comprometida, maquiagem borrada e uma gripe acometida. É possível pensar em coisas absolutamente demasiadas, diante de tamanha magia da natureza? E ainda por cima, estando em Manaus? (Vai ver, o sol anda fritando muitos miolos. E ao olhar por esse prisma, até que algumas antigas correntes deterministas não eram tão equívocas assim, né? Mas abafa o caso!).
Eu entendo que muitas pessoas, hoje, tenham suas razões para detestar a Chuva. É uma pena, mesmo, que esta maravilha – uma encantadora precipitação de gotas d'água no estado líquido sobre a superfície da Terra – esteja servindo de ferramenta para ocasionar tantos desastres, ceifar vidas e trazer imensos transtornos. Mas a nossa Mãe tem razões maiores, acredite. Creio que seja uma forma de ela pedir um ‘stop’ ao ser humano. Não podemos ouvi-la gritar por socorro, mas podemos vê-la estampada em cada rostinho desesperado que sofreu irreparáveis perdas. O nosso melhor e maior mestre ainda é o sofrimento. E eu me questiono: o quanto ainda teremos de sofrer para aprendermos a viver? A resposta ecoa na minha mente, e é algo que me assombra.
Mas, porém, todavia, contudo, entretanto... Meu amor por ti, chuva, nunca vai acabar! Podes vir sem avisar, sempre a estarei esperando de braços abertos e com as minhas mais belas recordações. As portas da felicidade estão abertas, e o ingresso é por cortesia da casa. Não existe modo mais fácil e eficiente de se embriagar, se perder e se achar. É como eu sempre digo: tudo é uma questão psicológica. Vamos tomar um banho de chuva?

domingo, 16 de janeiro de 2011

Confusa inteligência questionável


Sabe quando você pensa uma coisa, acaba falando outra e seus olhos traidores ainda são capazes de inventar uma terceira? Ultimamente, até algumas estupidificadas células do meu corpo têm formado complô para se voltarem contra mim. Eu tinha a consciência de que certas coisas não iam tão bem, mas não imaginava que estivesse escandalosamente errada no meu diagnóstico. Elas até que iam bem, mas bem MAL. E para completar a dose, nada como acrescentar um ingrediente altamente tóxico nesta confusa mistura, estragar tudo de uma vez e fazer a minha infeliz descoberta da pior maneira possível. Às vezes, o meu grau de inteligência realmente me assusta. Talvez seja por isso que nunca tive coragem de realizar um daqueles testes de QI.  ¬¬'

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Amanhã é outro dia



Eu sempre me pergunto, o que é, exatamente, que nos comanda por inteiro quando somos apanhados pelo susto, pelo imprevisto, pelo desastre, pela desilusão e tantas outras catastróficas emoções que desnorteiam completamente o nosso ‘psicológico’. Sempre me ocorreu, que a consciência sutilmente desaparece, como num passe de mágica, no momento em que o desequilíbrio nos apanha de surpresa. Talvez um embate de energias entre em ação. Nossos comandos passam, então, a serem exercidos pelos sentidos: o gesto das mãos que guardam o rosto, como que para esconder a vergonha e sustentar uma fogueira de vaidades; os olhos que se fecham para evitar uma visão trágica ou simplesmente não encarar o que está diante deles; os joelhos que se dobram para proteger o corpo; a voz que emerge de onde já esquecemos para dizer: ‘Oh, My God!’; as benditas lágrimas que insistem em inundar a nossa face, num passe absolutamente involuntário. E numa fração de tempo, um pensamento: ‘Um Bugatti Veyron resolveria os meus problemas!’. E com os pulsos cerrados, eu piso fundo no meu acelerador imaginário e me transporto para longe de tudo que possa me afligir, para um lugar em que eu me sinta como um pássaro livre-leve-e-solto a voar pelo mundo, sem correr o risco de ser atingida pela baladeira de um moleque sem princípios morais e com uma dose quase mortal de ‘espírito de porco’. E, assim, eu deixo as doces ilusões aplacarem as amargas, que um dia foram igualmente doces. Porque amanhã é outro dia e tudo é psicológico.