domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carnaval: Um Show de Horrores



Está certo, que eu não sou amante de datas comemorativas (com exceção do meu aniversário, claro), feriados sem cabimento e com pretextos desprezíveis para queimar dinheiro e continuar engordando o monstro da nossa encantadora economia capitalista - que uma hora dessas vai enjoar dessa comida e engolir a todos nós - mas, enfim, o Carnaval é um exemplo festivo que ultrapassa os limites do meu ódio.

Já disseram que sou preconceituosa, que eu devia apreciar a minha cultura, sentir orgulho de ser brasileira (e amazonense) e outras infinidades de blá-blá-blás absolutamente irrelevantes. Mas me diz, como me orgulhar de pessoas travestidas de loucura, que saem pelas ruas fazendo algazarras, enchendo a cara, premiando muros de casas com xixis, contemplando a autodestruição, substituindo o clássico “oi, tudo bem? Você vem sempre aqui?” por uma ‘rapidinha’ numa espelunca qualquer e com um parceiro mais qualquer ainda? Como me orgulhar de um país que oferece um dia oficial para a orgia, que investe mais em atividades promíscuas e campanhas carnavalescas que em questões sociais, ou que possui representantes que resolvem problemas ordenando que as pessoas batam as botas, as cachuletas ou simplesmente morram? Desculpa, mas não me orgulho disso. Eu não me orgulho de ser amazonense. E se você está pensando: “Emanuelle, os incomodados que se retirem!”, não se preocupe, já comecei a fazer meu pezinho de meia para fugir deste hospício.

(Não sei se já deu para perceber, mas tenho um sério problema. Começo falando uma coisa, quando me dou conta já estou falando sobre outra, de repente nem lembro mais o assunto inicial e acabo inventando um terceiro. Mas não sou louca, ok? Acontece que os meus pensamentos sempre vêm sob o encalço de outros tantos, só isso. Prometo tentar me policiar. E, sim, o Carnaval, algo que consegue me deixar depressiva todos os anos, é a ideia principal deste post)

Deixando de lado o fato de que o Carnaval é o definhamento social, vamos nos centrar um pouco no que chamam de aspecto cultural. Sinceramente, não entendo como que alguém com um mínimo de bom senso e gosto pode achar alguma espécie de valor estético, naquele brilhante e colorido show de horrores. E tem gente que ainda chama de arte, aquelas mulheres peladas, sob saltos gigantescos, balançando suas nádegas e peitos siliconados, pra lá e pra cá, como se fossem despencar a qualquer momento. Para mim, o nome disso é Falta de Vergonha na Cara.

E quanto aos desfiles das escolas de samba, eu gostaria muito que eles parassem de contaminar os canais da minha humilde televisão, nesta época. Ano retrasado, se não me foge à memória, acompanhei alguns desfiles só para poder rejeitá-los com base, pois acredito que é uma baita de uma ignorância detonar algo sobre o qual nada se sabe (aprendi isso da pior maneira possível: não comi pizza até os meus 11 anos de idade, porque eu não ia com a cara dela e dizia que não gostava. Num belo dia resolvi experimentar e descobri que era uma das melhores coisas que eu já havia comido na vida. Desde então, passei a comer o suficiente para compensar todos os anos em que a rejeitei. Logo: sei como a coisa funciona). Só quero dizer, que posso te afirmar que entendo do assunto o suficiente para poder dizer: “Eu não gosto!”. Entra ano e sai ano, sabe o que muda? Necas de pitibiribas! É tudo sempre igual, um verdadeiro miserê de criatividade – os carros, as fantasias (que me deixam com medo), os samba-enredos, até as bundas são as mesmas! Aquelas vozes roucas e bêbadas recitando a ‘profundidade’ intelectual da grande massa, de forma incrivelmente desarmônica, é algo que me causa arrepios. E eu sempre me questiono se o cérebro das mulatas tem um tamanho proporcional aos trajes que elas vestem.

Poluição sonora, visual. Toda e qualquer espécie de poluição combina com Carnaval. Acho que para o País progredir, os governantes deveriam começar por abolir este festim repetitivo e parar de contribuir com a matança da população. Os que não morrem drogados ou com DSTs, estão morrendo a longo prazo. E eu chego a imaginar que talvez este seja o projeto dos nossos adoráveis políticos (Por que será, né?!). Se o nosso Samba, Carnaval & Futebol não for o novo nome dado à antiga política do Pão e Circo, pode ser que ele faça parte de algum ideal nazista.

Uma breve e relevante analogia. Vocês lembram da estória da formiga inteligente e a cigarra idiota? As formiguinhas ralavam o ano todo, trabalhavam incessantemente para terem onde morar e o que comer ao longo do rigoroso inverno, enquanto a cigarra ficava que nem uma retardada cantarolando e patetando pela floresta. Fim da estória: o inverno chegou e as formigas ficaram numa boa, só flores, enquanto a pobre cigarra desprovida de inteligência acabou morrendo de fome e congelada. A nossa realidade não é muito diferente. Enquanto o mundo todo está preocupado com coisas importantes, as belezuras, aqui, estão dançando o samba do crioulo doido e achando tudo muito lindo. (Realmente, não é de admirar que seja proibido a entrada de brasileiros em alguns estabelecimentos estrangeiros)

Mas já que esta lamentável situação não vai mudar tão cedo, aqui vão algumas dicas para você contribuir com um planeta mais saudável e bonito, e, quem sabe, um Carnaval melhor:

1. Não obrigue todo mundo a ouvir o seu tipo de música;
2. Passe longe de bebidas alcoólicas. Elas também são drogas e você não precisa detonar seu corpo para ficar alguns momentos distante da realidade;
3. Não saia beijando e fazendo amor com pessoas que você não conhece. Isso tem outro nome, que prefiro deixar em off. Tome cuidado para você não criar o hábito de sentir o prazer físico sem amor – isso é a decadência humana.
4. Eu sei que é carnaval, mas você não pode sair por aí fazendo tudo que der na sua telha. Juízo, meu caro, muito juízo;
5. Depois de torrar seu dinheiro em festas promíscuas, se lambuzando com o suor de pessoas que você sequer conhece, não culpe o governo pela sua pobreza;
6. Olha, já ia esquecendo da clássica camisinha. Nada de aventuras sexuais sem ela, viu?
7. Não me chame para folias. Como ainda não tenho dinheiro para passar o feriado em Paris, estarei hibernando nos meus aposentos e fechada para balanço. Se você detesta essa data tanto quanto eu, siga meu exemplo.

P.S.: Só expressei o meu ponto de vista, e isso não quer dizer que eu seja contra os demais. Tenho total respeito por todas as cabecinhas que pensam diferentes da minha. Tenham um ótimo Carnaval!